terça-feira, 11 de outubro de 2011

O SENHOR DA ÁFRICA




José Martinatti, nascido em Rinópolis/SP, encantou-me com seu trabalho no primeiro momento em que vi suas telas. São telas diferentes, fascinantes. São telas resgatando a história de uma terra e de um povo que veio ao nosso país como escravo e que construiu esta nação. Entendo que o texto que melhor define o artista foi escrito por Marcco Venturelli, pelo que apenas o transcrevo :
 
“Lembro quando José me procurou para aprender a pintar. Filho de mãe pintora e professora de pintura há muitos anos, ali estava ele querendo aprender comigo. Senti a responsabilidade e estranhei ele ter esperado tanto tempo para começar. Iniciou-se como todo aluno, na paisagem, no acadêmico. 

Com uma facilidade enorme foi desenvolvendo os trabalhos, e comentei várias vezes o dom herdado da mãe. Sempre comentou sua paixão pela África, e eu dizia para que aprendesse técnicas, e quando estivesse pronto para decidir qual seu estilo próprio, faria a escolha. Ele nunca escolheu um estilo, escolheu o tema. África. Negros. Negras. 

E foi sempre se desenvolvendo, e aprendendo técnicas em cima desse tema, mesclando outros trabalhos, mas retornando a ele. E eu ensinando, corrigindo e prestando muita atenção. 

O que sua alma trazia lá de trás, sei lá de que vivência, mas sempre estampada ali. Porque as cores do sol da África estão nos quadros, seus desenhos, seus relevos, traços de pintores primitivos africanos também, e todas as vertentes de desenhos e cores que se vê na África, em algum trabalho se pode notar estampado. “

(Texto do artista plástico e professor de artes Marcco Venturelli)



José Martinatti- coleção particular





José Martinatti - coleção particular





José Martinatti - coleção Edmundo Machado





José Martinatti- coleção particular





José Martinatti - coleção particular





José Martinatti - coleção particular





José Martinatti - coleção particular

(agradecimentos especiais aos artistas Altamiro Marques, Arimatéia, Kolley Nardi, Maura Kaschel, Diana Louro e Vera Matos pela autorização do uso de imagens de seus respectivos trabalhos)


TELAS IN FLASH


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Nelson Molina - coleção particular





Altamiro Marques - coleção particular





Kolley Nardi - coleção particular





Maura Kaschel - coleção particular





Arimatéria - coleção particular





Diana Louro - coleção particular





Vera Matos - coleção particular

SEÇÃO ESPECIAL 

 Max Ginsburg é um pintor extremamente realista, nascido na França e radicado nos Estados Unidos. É o autor da obra "Pieta da Guerra", tela que se vê abaixo e que, pela força da imagem, pela criatividade, pela técnica e pela mensagem que transmite, mereceu este espaço especial.



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ESPAÇO ESTRANGEIRO


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Duffy Sheridan - USA




Andre Balyon - Alemanha




An He - China




Antonio Pedrosa - Espanha




David Smith - Inglaterra




Mustafa Keyhani - Iran




Charles Theodore Frere - 1814-1888 - França
(Devido a importância do assunto abaixo, excepcionalmente esta seção do blog não tratará de música nesta atualização)



CANTINHO DO CONSUMIDOR



ACORDA, VOCÊ ESTÁ SENDO LESADO

Sem sombras de dúvidas, o setor empresarial tem por objetivo principal a obtenção de lucros. Até aí nada de mais, pois esta é a realidade de todo o mundo, onde a atividade produtiva, que gera empregos e paga impostos, alavanca o país. Entretanto, em nossa Nação alguns pontos estão a merecer nossa completa vigilância, devido as artimanhas que estão sendo utilizadas para lesar o consumidor sem que ele sequer perceba. 

Digo isto porque, alertado por um amigo, passei a observar produtos de valores pequenos, mas que trazem embutido um preço final absurdo e pude verificar que nos menores preços está a grande jogada do “lesa consumidor”. Os produtos vendidos em pequenas quantidades, em pequenas porções e por preços que não chamam a atenção, desorientam o consumidor e o fazem perder a percepção do valor real que está pagando.

Só como exemplo : você entra no supermercado e compra um saquinho de orégano, aquele tempero muito utilizado em pizza, pagando em média R$ 1,99 por uma embalagem contendo três (3) gramas do produto. O valor é pequeno e você não dá nenhuma atenção ao fato. Porém, se você fizer as contas, verá que na verdade está pagando R$ 663,33 pelo quilo do orégano. Assustou-se ? Mas é isto mesmo. Se três gramas custaram R$ 1,99 o quilo custará mais de um salário mínimo.

Outro produto que não fazemos a conta completa é tinta para impressora. Em uma inteligente jogada os fabricantes passaram a oferecer impressoras jato de tinta a preços cada vez mais barato, mas com cartuchos custando cada vez mais caros, sem esquecer que de uns tempos para cá os fabricantes reduziram a quantidade de tinta na metade (nota: antes os cartuchos continham 10 ml de tinta. Agora, só 5 ml.), mas mantiveram o preço tal qual era.

Veja a conta, que é inquestionável: Um cartucho de tinta original contendo 5 mililitros custando R$ 50,00 equivale dizer que você está pagando dez mil reais (R$ 10.000,00) pelo litro da tinta. Preste atenção, pois estamos falando de dez mil reais por um litro de tinta para impressora. Argumentaria o fabricante que tem embutido no produto o custo da embalagem e a tecnologia de ponta. Mesmo sabendo que é “conversa para boi dormir”, aceitemos o argumento e vamos fazer um desconto de 50% no litro da tinta e ainda assim teríamos o astronômico valor de R$ 5.000,00 por litro.

Como um litro de tinta para impressora pode custar mais caro do que uma motocicleta, cinco notebooks, cinco televisores de LCD e tantas outras coisas mais? Ou seja, é um assalto elegante, uma estratégia inteligente, onde o consumidor sequer nota o quanto está sendo lesado. Se você fez as contas, verá que um litro de tinta para impressora está custando proporcionalmente mais caro do que tudo que você gasta na sua manutenção e de sua família. 

Só nestes dois exemplos citados acima, já dei aos meus leitores uma amostra do quanto somos lesados todos os dias. E o pior é que a sociedade brasileira não adquiriu ainda a capacidade de se auto defender, seja reclamando, seja boicotando o produto que está fora dos parâmetros normais de preços. 

E precisamos adquirir esta capacidade imediatamente, pois em uma série enorme de outros produtos o quadro se repete e você nem percebe. É o rolo de papel higiênico que diminui a quantidade de metros mas mantém o preço, é a caixa de bombom que diminui a quantidade de bombons mas mantém o preço, é o caderno escolar que diminui a quantidade de páginas mas mantém o preço, enfim, você é discretamente "passado para trás" sem sequer perceber.

No mais, na próxima compra de um produto qualquer faça a conta e proteja seu bolso, pois se cada um fizer a sua parte, principalmente não comprando o produto enganador e avisando aos amigos para que não comprem também, o país chegará a maturidade mais rapidamente.

                                            Edmundo Machado

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

UM PINTOR PARAENSE



Manoel Costa nasceu como pintor no batismo dos igarapés do Pará, filho de pai canoeiro, criança de olho nas paisagens e nos perigos da selva, precocemente lançado na luta pela sobrevivência. 

Como se ouvisse um canto de Mãe-D'água, o menino Manoel sentiu acender-se no peito a paixão de registrar em formas e cores os momentos mágicos da natureza. Assim, a pintura entrou em sua vida: como ritual de captura da beleza indizível, no magnetismo da paisagem.
Seu talento apurou-se no seu autodidatismo, superando as limitações do seu ambiente cultural. Premiado pelo governo do Amapá com uma bolsa de estudos na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, Manoel Costa pôde finalmente realizar sua vocação. Nem mesmo uma vitoriosa passagem pelo mundo da publicidade o afastou da arte. 

Ao longo do tempo, ele tem vivido a pintura como incessante busca de sua própria verdade, explorando linguagens diversas como abstracionismo, um expressionismo que liberta a figura das referências objetivas ou construção de uma estética domesticada no desenho, mas livre no jogo emotivo das cores. 

Em plena maturidade, a arte de Manoel Costa é documentada nesta página como acervo de prestígio na memória nacional, prometendo valiosas surpresas no futuro, em vista da firme determinação do artista de ir ao encontro da sua própria liberdade de expressão. É assim a obra deste caboclo.
               (baseado em texto de Walmyr Ayala, escritor e crítico de arte)



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Manoel Costa - coleção particular










Manoel Costa -coleção particular










Manoel Costa - coleção particular










Manoel Costa - coleção particular










Manoel Costa - coleção particular










Manoel Costa - coleção particular










Manoel Costa - coleção particular

TELAS IN FLASH


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José Rosário - tela à venda com o artista





Tania Corsini - coleção particular





Alexandre Reider - coleção particular





Belmiro de Almeida - 1858-1935 - coleção particular





Carlos Faria - coleção particular





Paulo de Carvalho - coleção particular







George Pergentino - coleção particular
ESPAÇO ESTRANGEIRO


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Louis Marie Lemaire - 1824-1910 - França





Arsen Kurbano - Rússia




Darren Blake - Inglaterra




Gerard Brommer - USA




Georg Grimm - 1846-1887 - Alemanha




Maria José Viña - Espanha




Tina Spratt - Irlanda
CANTINHO DA MÚSICA



RELEMBRANDO NELSON  GONÇALVES


 

Como as novas gerações pouco ou nada conhecem dos grandes nomes da musica brasileira, é hora de relembrar Nelson Gonçalves que, se não tivesse partido para outra esfera, estaria completando 92 anos e que ainda tem um enorme número de fãs dentre os mais velhos, público que o cantor colecionou em três gerações.
Nelson Gonçalves era gaúcho, nascido em Santana do Livramento em 1919, de onde seguiu para São Paulo ainda criança, indo morar no bairro do Brás. Sua vida como cantor não foi imediata, pelo que trabalhou como jornaleiro, mecânico, engraxate, garçom e lutador de boxe. Nelson era gago, o que lhe valeu o apelido de “Metralha” e o que aumentava sua dificuldade em entrar no mundo do canto. Por vários anos tentou um espaço no mundo da música, sempre utilizando os programas de calouros, de onde saía sempre reprovado, tendo recebido do próprio Ary Barroso um sincero conselho para que desistisse.
Só em 1941 conseguiu gravar um disco, ainda em 78 rotações, muito bem recebido pelo público, o que lhe abriu as portas das gravadoras para novos lançamentos e, então, estava definitivamente colocado na carreira de cantor, tornando-se um ídolo durante a época de ouro da Rádio Mayrink Veiga, situação mantida até a década de 60, quando sérios problemas com tóxicos  criaram dificuldades pessoais e profissionais.
Superada a crise, Nelson Gonçalves lança o disco “A Volta do Boêmio n° 1”, que foi sucesso imediato e que lhe permitiu continuar gravando até os anos 90, sempre obtendo colocação entre os recordistas nacionais de vendas de disco, o que lhe confere uma discografia enorme, reunindo dezenas de discos ainda da era do vinil, bem como uma outra quantidade enorme lançada na era do CD. 
Nelson Gonçalves foi nome importante na música brasileira, não só por suas interpretações como também por não ter ficado estagnado no tempo, pois sempre buscou novos compositores, redimensionando sua carreira, gravando antigos sucessos mesclados com obras atuais como “Simples Carinho” de Ângela Rô Rô ou mesmo “Como uma Onda” do Lulu Santos.
Na linha musical que se propunha apresentar, Nelson fez de tudo. Gravou um disco de tango, gravou sambas, gravou serestas, gravou um disco só com obras de Noel Rosa, gravou o CD “O Boêmio e o Pianista” com Arthur Moreira Lima, enfim, passeou livremente pela música brasileira, sem falar das vezes que participou de discos de outros nomes da MPB e das vezes que trouxe estes nomes para participar de discos seus, como fez no CD “Nelson & Convidados”, “Ele & Elas” onde se apresenta com Gal, Elizeth Cardoso, Fafá de Belém e outras, ainda o CD “Eu & Eles” onde canta com Fagner, Tim Maia, Martinho da Vila, Caetano e outros.
Nelson Gonçalves tem um público fiel, francos admiradores de sua bela voz e de suas interpretações marcantes e o seu falecimento, ocorrido em 1998, abriu uma lacuna no espaço musical brasileiro, que perdeu mais uma das suas grandes vozes, qualidade e dom cada vez mais raro nos dias de hoje, pois se você observar, a absoluta maioria dos cantores atuais, embora “afinadinhos” não têm qualquer extensão vocal, e uma voz como a do “Metralha” tem que ser respeitada.
                                             Edmundo Machado