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terça-feira, 13 de setembro de 2011

CANTINHO DA MÚSICA


AS GRANDES ORQUESTRAS



Tenho certeza que muitos dos meus leitores ainda se lembram dos bons tempos dos grandes bailes que aconteciam em todas as cidades. E se lembram dos bailes, hão de lembrar-se das orquestras que faziam o salão se encher com os “pés de valsas” da época. Era a época de ouro das grandes orquestras, também conhecido como “anos dourados”, onde dançar harmoniosamente, respeitosamente abraçado ao par, além de romântico, era um hábito nacional.


Com o passar dos tempos, mudando a cultura, principalmente entre os jovens, onde cada um dança para um lado sem qualquer relação de harmonia com o par, com a invasão dos DJs e da música eletrônica, as orquestras tiveram o seu espaço ocupado e foram sumindo. Poucas sobreviveram.


Dentre as heroicamente sobreviventes, merece registro a Orquestra Tabajara, que já tem  77 anos de existência e sucesso e que esteve sob a regência do maestro Severino Araújo por quase todo este período. A Tabajara foi fundada em 1934 em João Pessoa, na Paraíba, pelo holandês Oliver Von Sohsten, que veio ao Brasil para dirigir uma empresa que lá se instalara e, já em 1937, com a inauguração da Rádio Tabajara, foi contratada para apresentações naquela rádio. A formação original da orquestra já constava com grandes músicos daquela época e Severino Araújo foi convidado para integrar o naipe de sax da equipe.


Por fatos do destino, Severino Araújo, com apenas 21 anos de idade assumiu a direção daquela que seria a mais famosa orquestra popular do Brasil e, já em 1944, a orquestra recebeu convite para apresentar-se na Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, que era a capital da República e o centro musical da nação. A partir deste ponto a orquestra não parou mais. Apresentou-se durante 10 anos na Rádio Tupi, depois mais 5 anos na Mayrink Veiga, seguidos de mais 10 anos na Rádio Nacional e 5 anos na TV Rio, sem falar nas excursões de sucesso na França, Argentina, Portugal e outros países.


Somado a tudo isto, seguiu-se o sucesso de discos, tanto na Gravadora Continental como na Cid, especialmente com a série de CDs  “Anos Dourados”, lançado após o sucesso da série da Tv Globo com o mesmo nome e que serviu para trazer um pouco de volta as grandes apresentações orquestrais dançantes.


Inspirada nas big bands americanas (leia-se Tommy Dorsey, Glen Miller, Woody Herman e outros), a orquestra animou bailes famosos, festas memoráveis, além de ter sido atração tradicional dos domingos durante a existência do Circo Voador, no Rio de Janeiro. O repertório da orquestra é diversificado, abraçando tanto a música brasileira, como clássicos do jazz e da música americana, passando por boleros e tangos.


Em um país onde viver de música é difícil, seguido de uma fase onde a música eletrônica, raps, funks e outros ritmos dominam festas e clubes, a existência da Orquestra Tabajara por mais de 75 anos é algo histórico e merecedor de registro.


E se tudo isto não bastasse, só quem já dançou de rostinho colado com aquela pessoa que fazia sua respiração alterar, ao som da Tabajara, sabe como era gostoso um baile dos anos dourados.

  Edmundo Machado

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

CANTINHO DA MÚSICA



A ÉPOCA DE OURO DA MÚSICA ROMÂNTICA
PARTE 1

Recebi de um amigo um pequeno texto, porém enorme em detalhes, que falava sobre o período da música romântica dos anos 50 e 60, sem deixar de traçar um paralelo de que esta época de ouro da música romântica surgiu imediatamente após os anos sombrios da Segunda Guerra Mundial. Fazendo uma retrospectiva, verifiquei que o conceito apresentado naquele texto tinha tudo de verdade e era uma observação nova e que merecia um aprofundamento, pelo que passei a pesquisa do assunto.
Verifiquei que, em uma análise histórica e social, o mundo ainda estava sob os efeitos de uma longa guerra, que embora encerrada, havia deixado uma grande consternação e muita destruição, seguido de muito desemprego, muitas perdas, mas que um sentimento de solidariedade se misturava ao horror do holocausto, dos campos de concentração e ao medo mundial deixado pelas bombas de Hiroshima e Nagazaki.
Era uma mistura caótica de sentimentos. Tomando o EUA como exemplo, difícil encontrar uma família que não tivesse perdido algum ente querido nos campos de batalha. Nos países da Europa o quadro se repetia, somado ao sofrimento imposto pela dominação nazista. Enfim, a dor ainda era muito presente, as lembranças muito fortes e a necessidade de seguir vivendo uma exigência que vinha do interior do ser humano.
Esta mistura de sentimentos desencadeou a musicalidade emocionada e uma busca pela orquestração vibrante, dançante, visando saciar a sede das pessoas de dar expansão aos sentimentos reprimidos, como se fosse uma forma de dizer a si mesmo “estou vivo” e de diminuir o medo dos anos de guerra e uma proclamação da esperança de dias melhores e mais alegres.
Foi a época de ouro das grandes orquestras. Muita sonoridade, com muitos metais (sax, trompetes, etc), aliado a um ritmo sempre muito vibrante e muito dançante, onde a alegria da música gerava movimento, mas que convivia ao mesmo tempo com músicas mais melancólicas, de letras extremamente românticas, literalmente “apaixonadas” e que quase sempre falavam de um amor perdido.
No Brasil este movimento chegou um pouco modificado, não só porque a guerra não afetou o país de forma tão contundente como nos países da América do Norte/Europa, como também porque aqui o que vigorou foi a força do rádio e dos famosos programas de auditório que nos anos 50 dominavam o cenário nacional.
Mas isso é uma outra história que contaremos na parte 2 desta matéria.

                                                Edmundo Machado